As grandes empresas de mineração estão revendo estratégias diante da transformação das cadeias globais de fornecimento, do avanço tecnológico e da crescente demanda por minerais considerados estratégicos. Daniel Mors, fundador da Golden Brasil e empresário especialista em negócios com minérios, acompanha esses movimentos para ampliar a leitura sobre o setor mineral e identificar tendências que podem influenciar decisões futuras da Golden Brasil.
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O que os grandes grupos estão priorizando?
As decisões de investimento das grandes mineradoras oferecem sinais sobre quais segmentos apresentam perspectivas de crescimento. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que os investimentos em minerais críticos caíram 9% em 2025, mas houve diferenças importantes entre as empresas. Companhias focadas em cobre aumentaram seus investimentos em 8%, enquanto os aportes em metais para baterias recuaram de forma mais acentuada.
Essa diferença revela que as empresas não estão respondendo ao mercado de maneira uniforme. A procura por cobre permanece associada à expansão das redes elétricas e de tecnologias digitais, enquanto mudanças nas químicas de baterias e períodos de excesso de oferta afetaram investimentos em lítio, níquel e cobalto. O comportamento do capital, portanto, pode funcionar como um indicador das expectativas empresariais.
Para Daniel Mors, observar essas escolhas permite transformar movimentos corporativos em referências para a análise do setor. O foco não está apenas no tamanho dos investimentos, mas na direção que eles indicam, nos minerais escolhidos e nas condições que levam uma empresa a ampliar ou reduzir sua exposição a determinado segmento. Essa leitura também ajuda a identificar quais tendências podem ganhar força nos próximos ciclos e quais fatores estão influenciando a estratégia das principais empresas de mineração.
Como os portfólios estão mudando?
A reorganização dos portfólios é uma das tendências mais relevantes da mineração atual. Empresas procuram ampliar a exposição a minerais cuja demanda apresenta perspectivas de crescimento e, ao mesmo tempo, buscam novas posições em etapas da cadeia que podem oferecer maior controle sobre fornecimento e processamento. Esse movimento também pode envolver a revisão de ativos, investimentos em novas áreas e formação de parcerias estratégicas para acompanhar as transformações do mercado.

Segundo Daniel Mors, esse movimento acompanha uma mudança mais ampla na economia mineral. A Agência Internacional de Energia projeta crescimento expressivo da demanda por minerais críticos até 2040, com destaque para lítio, níquel, grafite e terras raras. O cobre também deve registrar forte expansão em volume, impulsionado principalmente pela necessidade de infraestrutura elétrica.
Por que a tecnologia virou parte da estratégia?
A tecnologia deixou de ocupar apenas uma posição experimental na mineração. Automação, inteligência artificial, modelagem de dados e sistemas de monitoramento estão sendo incorporados para melhorar exploração, produtividade, recuperação mineral e manutenção. A Deloitte identifica justamente a passagem de projetos-piloto para operações digitais em maior escala como uma das tendências do setor em 2026. Esse avanço mostra que a transformação tecnológica passa a fazer parte das estratégias de competitividade das empresas.
Na exploração mineral, ferramentas baseadas em inteligência artificial e sensoriamento remoto podem acelerar a análise do subsolo e melhorar a seleção de áreas com potencial. Na operação, tecnologias de controle de processos e manutenção preditiva podem contribuir para reduzir paradas e tornar o uso de equipamentos mais eficiente. A combinação dessas soluções também pode gerar dados mais precisos para apoiar decisões operacionais e investimentos em diferentes etapas da atividade.
A observação dessas aplicações amplia o repertório utilizado por Daniel Mors para acompanhar o mercado. Mais do que avaliar qual tecnologia está sendo anunciada, é necessário compreender qual problema ela resolve, em que etapa da cadeia pode ser aplicada e como sua adoção modifica custos, produtividade ou capacidade de exploração. Essa análise ajuda a diferenciar tendências com potencial de aplicação prática de soluções que ainda permanecem em estágio inicial.