O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aponta uma contradição comum na rotina das consultas: o exame clínico das mamas é simples, rápido e não exige equipamento, mas muitas vezes deixa de ser feito. Em outros casos, a paciente passa pelo procedimento sem entender o que está sendo avaliado. Conhecer as etapas ajuda a mulher a se sentir mais segura durante o exame e a valorizar seu papel ao lado da mamografia.
Primeira etapa, a conversa antes do exame
O exame começa antes do toque. O profissional pergunta sobre sintomas recentes, como nódulos, dor, secreção ou mudanças na pele, além de dados sobre ciclo menstrual, uso de hormônios, gestações, amamentação, cirurgias anteriores e casos de câncer na família.
A conversa orienta a avaliação. Um relato de nódulo percebido pela própria paciente, por exemplo, faz com que a área receba atenção especial. As informações também ajudam a estimar o risco individual e a definir se o rastreamento deve seguir a regra geral ou começar mais cedo.
Segunda etapa, a observação das mamas
Com a paciente sentada, o profissional observa as mamas com os braços ao longo do corpo, depois com os braços elevados e, por fim, com as mãos apoiadas na cintura, contraindo os músculos do tórax. A mudança de posição torna mais visíveis alterações que poderiam passar despercebidas.
São avaliados o formato e o tamanho das mamas, a simetria, a pele e os mamilos. Retrações, abaulamentos, vermelhidão, aspecto de casca de laranja, feridas no mamilo e desvios na direção do mamilo são sinais que merecem atenção. Segundo Vinicius Rodrigues, a observação cuidadosa pode revelar alterações sutis antes mesmo da palpação.
Terceira etapa, a palpação das axilas e do pescoço
Ainda sentada, a paciente tem as axilas examinadas, com o braço apoiado no do profissional para relaxar a musculatura. A palpação busca linfonodos aumentados, endurecidos ou fixos. As regiões acima e abaixo da clavícula também são avaliadas, porque recebem parte da drenagem linfática da mama.
Linfonodos pequenos, macios e móveis costumam ser normais. Os que chamam atenção são registrados para avaliação complementar, geralmente com ultrassonografia. A presença de um linfonodo alterado sem outros achados na mama pode ter causas benignas, como infecções e inflamações recentes.
Quarta etapa, a palpação das mamas
Com a paciente deitada e o braço do lado examinado elevado atrás da cabeça, a mama se espalha sobre o tórax, o que facilita a palpação. O profissional percorre toda a mama com as pontas dos dedos, em movimentos circulares ou em faixas, incluindo a região que se estende em direção à axila.
O objetivo é identificar nódulos, áreas endurecidas ou diferentes do restante do tecido. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o exame comparativo entre as duas mamas é fundamental, já que muitas mulheres têm textura naturalmente irregular, e a diferença entre os lados ajuda a destacar o que é realmente novo.
Quinta etapa, o registro e a conduta
Ao final, o profissional registra os achados no prontuário e define a conduta. Se não houver alterações, a orientação é manter o rastreamento conforme a idade e o risco. O exame inteiro costuma levar poucos minutos. Diante de um achado, a investigação é feita com exames de imagem, independentemente da data da última mamografia.
O exame clínico não substitui a mamografia, que detecta lesões muito menores do que as perceptíveis ao toque. Os dois, porém, se complementam de forma importante. Conforme destaca Vinicius Rodrigues, incluir o exame clínico nas consultas de rotina é uma forma simples de identificar sinais que surgem entre uma mamografia e outra e de reforçar o vínculo da mulher com o cuidado das mamas.