Empresas de extração e beneficiamento de areia, brita e outros insumos minerais utilizados na construção civil recorrem a contratos de fornecimento de longo prazo com construtoras e concreteiras como lastro para antecipar recursos junto a fundos estruturados
A produção de agregados minerais, como areia, brita e cascalho, utilizados como insumo básico na fabricação de concreto, asfalto e demais materiais empregados na construção civil, depende de operações de extração que exigem investimento contínuo em maquinário, licenciamento ambiental e logística de transporte até os canteiros de obra e centrais de concreto que consomem esse tipo de material. Empresas desse setor costumam firmar contratos de fornecimento de médio prazo com construtoras, concreteiras e empresas de infraestrutura, o que garante previsibilidade de receita, mas também demanda capital de giro para sustentar o ritmo de extração e beneficiamento compatível com a demanda contratada.
Ao ceder o direito de receber os valores previstos nesses contratos de fornecimento a um fundo estruturado, a empresa de mineração de agregados antecipa parte da receita futura, obtendo recursos que podem ser destinados à expansão da capacidade produtiva ou à renovação de maquinário de extração e beneficiamento.
Proximidade geográfica do consumidor final influencia a viabilidade do negócio
Diferentemente de commodities minerais de maior valor agregado, cujo custo de transporte representa uma fração pequena do preço final, agregados como areia e brita têm valor unitário relativamente baixo frente ao custo do transporte rodoviário, o que torna a distância entre a jazida e o canteiro de obra ou a central de concreto um fator determinante para a viabilidade econômica de cada contrato de fornecimento. Empresas de mineração de agregados localizadas próximas a grandes centros urbanos em expansão costumam apresentar uma base de clientes mais estável e diversificada do que operações distantes dos principais polos de consumo.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, a proximidade entre a jazida explorada e o consumidor final é um dos primeiros pontos avaliados na estruturação de uma operação desse setor.
“Um contrato de fornecimento de agregados minerais só sustenta uma operação de crédito estruturado de forma consistente quando a distância entre a jazida e o canteiro de obra é compatível com a margem do negócio, sem tornar o custo de transporte um fator que corroa a rentabilidade do cedente ao longo do prazo da operação. Avaliamos essa variável junto ao volume de reservas disponíveis e à regularidade do licenciamento ambiental antes de aceitar esse tipo de contrato como lastro”, detalha o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em contratos de fornecimento de insumos para a construção civil, aplicando a esses ativos processos de auditoria de lastro e conciliação adaptados às particularidades desse setor industrial. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a companhia soma a esse segmento a experiência acumulada em mais de 550 fundos ativos de diferentes perfis.
Ciclo da construção civil influencia diretamente a demanda por insumos
A demanda por agregados minerais acompanha de perto o ritmo de atividade da construção civil, tanto residencial quanto de infraestrutura, o que torna a diversificação entre diferentes tipos de cliente, como construtoras residenciais, empreiteiras de obras públicas e centrais de concreto para uso industrial, um fator relevante na composição de uma carteira de recebíveis desse setor. Uma base de clientes concentrada em um único segmento da construção civil tende a apresentar maior sensibilidade a ciclos específicos desse mercado do que uma carteira diversificada entre diferentes tipos de obra.
Licenças ambientais e de operação também compõem a análise de risco de uma empresa de mineração de agregados, uma vez que a regularidade desses documentos é condição para a continuidade da atividade extrativa que sustenta o fluxo de recebíveis cedido ao fundo, o que leva administradores fiduciários a acompanhar a situação documental de cada cedente com atenção proporcional à relevância dessa atividade para a operação do fundo.
Empresas que diversificam entre diferentes tipos de agregado, como areia lavada, brita graduada e rachão, tendem a apresentar maior resiliência frente a variações pontuais de demanda em segmentos específicos da construção civil do que operações concentradas em um único tipo de material, uma vez que diferentes etapas de uma obra costumam demandar proporções distintas de cada insumo ao longo do cronograma de execução.
Volume de reservas minerais influencia o horizonte da operação
A estruturação de uma operação de crédito lastreada em contratos de fornecimento de agregados também depende da avaliação do volume de reservas minerais disponíveis na jazida explorada pela empresa cedente, uma vez que a capacidade de honrar contratos de fornecimento de médio e longo prazo está diretamente vinculada à vida útil estimada da área de extração. Jazidas com reservas comprovadas e licenciamento vigente por um horizonte mais longo tendem a sustentar operações de crédito estruturado com prazos mais estendidos do que áreas próximas do esgotamento de sua capacidade produtiva ou pendentes de renovação de licença.
Esse acompanhamento do volume de reservas se soma à análise tradicional de crédito do cedente, compondo um conjunto de informações técnicas e financeiras que administradores fiduciários avaliam antes de aceitar contratos desse setor como lastro de uma operação estruturada.
Perspectivas para o crédito estruturado no setor de insumos para construção
Com o setor de construção civil brasileiro mantendo relevância na formação bruta de capital do país e empresas de mineração de agregados de médio porte buscando alternativas de capital de giro compatíveis com o ritmo de expansão da demanda por insumos, a tendência é que operações de crédito estruturado lastreadas nesse tipo de contrato ganhem espaço complementar dentro da indústria de FIDCs. Para administradores fiduciários especializados nesse segmento, acompanhar a diversificação da base de clientes, a regularidade documental dos cedentes e o volume de reservas disponíveis deve seguir como um fator relevante para sustentar a confiança de investidores nesse segmento da economia real.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.